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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Série Depoimentos

O Só a Educação Salva o Brasil defende que a educação é o principal (se não for o único) meio de transformação social da realidade brasileira. Por isso defendemos que jovens carentes que desejem estudar e se desenvolver tenham esta oportunidade e não desistam no caminho devido os empecilhos financeiros que aparecem. Alinhado com esta idéia, o Só a Educação Salva o Brasil defende iniciativas como o modelo para erradicação da pobreza através de investimentos em educação sugerido pelo Banco Mundial na década de 1990.

Maiores explicações sobre este modelo estão no texto que se encontra no link abaixo:

O Fim da Pobreza

Recentemente foi criado aqui neste blog uma série com depoimentos de jovens que encontram-se ou já passaram por esta situação.

No texto que se encontra no link abaixo, vemos a realidade de um jovem que cursa com dificuldades uma universidade pública:

Uma dura realidade

Já no texto que se encontra no link abaixo temos o depoimento de alguém que passou por estas dificuldades e hoje encontra-se numa posição de destaque no mercado de trabalho, promovendo assim uma transformação na sua realidade e de sua família e tudo graças à dedicação e aos estudos. As identidades dos dois depoimentos foram preservadas.

Sonhos que podemos ter

A mensagem que o Só a Educação Salva o Brasil quer passar aos jovens que estão passando por uma situação parecida é que vejam o exemplo do depoimento acima. E que apesar das dificuldades de agora todo esforço será recompensado. Não desistam que valerá a pena!

Se você está numa situação parecida como a descrita ou passou por dificuldades financeiras durante os estudos mande para este blog o seu depoimento, compartilhe suas experiências.

Uma dura realidade

O Só a Educação Salva o Brasil defende que jovens que precisem trabalhar desde cedo e por conta disso desistem de estudar tenham a mesma oportunidade daqueles que tem. Para aqueles que tem dificuldade financeira, até mesmo cursar uma universidade pública é difícil. Vejam este depoimento de um bolsista do Instituto Embraer (http://www.institutoembraer.com.br/):

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O primeiro semestre da faculdade talvez seja um dos mais difíceis, não pelo conteúdo das disciplinas, mas pela adaptação. Morar em uma cidade diferente, sem sua família, organizar suas contas (e pagá-las no prazo) e comprar sua comida. Você passa a depender de você, e aquele sonho da independência, tão sonhada pela maioria dos adolescentes, se mostra atrelada a uma responsabilidade antes inimaginável. Pra mim não foi diferente, sempre fui muito responsável, mas foi um semestre difícil.

Realmente percebi que é isso que quero pra mim, estou gostando muito da minha Universidade. No primeiro semestre minhas notas foram razoáveis, digo isso por que não chegaram no quanto eu estabeleci como padrão pra mim. Mesmo amando as matérias elas carecem de muito estudo, e era difícil estudar. Não havia foco, estava sempre preocupada com problemas com a casa onde estava morando, ainda tinha medo de São Paulo, ficava correndo atrás de papeladas e tava com vários probleminhas de saúde.

Moro numa casa bem pequena e velhinha, mas é bem próxima da Universidade, o que ajuda muito na questão de organizar e administrar o tempo e também na segurança no caos que é a cidade onde vivo. Nessa casa moram eu e mais dois estudantes, antes eram três, mas uma garota saiu da casa, outra coisa que também trouxe dores de cabeça. Todo o dinheiro é bem contadinho, a parte para alimentação, a da viagem para ver meus pais em alguns finais de semana e a maior parte para moradia. Quando uma das meninas saiu o aluguel e as contas passou a ser dividido em três, ao invés de quatro, e as despesas aumentaram!

De início foi difícil fazer amizades, digo amizades mesmo e não interações com colega de classe. A universidade é lotada de garotas e garotos ricos, que não dão valor ao muito que tem, e normalmente tem muito interesses com as "amizades". Era estranho demais ficar ouvindo as garotas falarem de esmalte para a unha de quarenta dólares e das marcas de sapato que elas compraram na última viagem. 

Me faziam umas perguntas que quando eu contava pra minha família a única coisa que agente podia fazer era rir. Coisas do tipo : "Eu ouvi você dizendo que tá com uns problemas de moradia, vi um apartamento vendendo aqui bem perto por cento e trinta mil, por que você não fala pros seus pai comprarem pra você?", ou "Você gosta tanto desta banda, por que você não foi ao show?". É realmente estranho como as pessoas não entendem o que é não ter dinheiro!

Nesse início de semestre as coisas estão bem melhores pra mim no quesito rotina, estudo para as provas, vou caminhar, ás vezes faço feira, almoço no refeitório da universidade e estudo inglês autonomamente.

Dessa rotina a parte de que aborrece, mas to superando é a parte de estudar inglês sozinha. Durante o semestre passado passei bem apertado e com ajuda da minha mãe pra conseguir juntar, durante cinco meses, quinhentos reais. Esse dinheiro seria pra pagar um semestre de um curso de inglês popular que tem aqui na faculdade, quando cheguei pra me matricular, com os quinhentos reais em mão que juntei, descobri que a apostila custava mais cento e noventa e não pude fazer o curso.

Está aí uma dificuldade de acesso aos estudantes sem recursos. Como competir no mercado de trabalho com um colega de classe que fala cinco idiomas, faz milhares de cursos na área de biológicas e viaja sempre pra reservas ecológicas do mundo todo? Como fazer pra comprar livros que custam mais de duzentos reais, e todos que a biblioteca tem são em inglês... Como estudar assim? Até mesmo estudar em uma universidade pública tem seu preço.

Uma coisa que sempre tenho em mente é que estou procurando forças pra fugir da tal herança social, um conjunto de forças que a sociedade naturalmente te impõe pra você seguir na mesma direção dos seu pais. Meus pais queriam estudar,mas não puderam, eu estou tendo esta chance. Uma pessoa sem grana na faculdade pública é raro, mesmo, talvez as pessoas realmente não entendam isso, a ajuda que recebemos dá a bagagem e a chance pra podermos estar lá, mudando a nossa história e a da nossa família.

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Este depoimento foi um dos motivadores da criação deste blog. É por histórias como esta que o Só a Educação Salva o Brasil defende maior investimento em educação, e de preferência em modelos comprovadamente eficazes como o sugerido pelo Banco Mundial para a erradicação da pobreza através da educação, modelo adotado pelo Fundo de Bolsas do Instituto Embraer.

Se você concorda com estas idéias ajude a divulgar este canal.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sonhos que podemos ter

O Só a Educação Salva o Brasil defende que jovens que precisem trabalhar desde cedo e por conta disso desistem de estudar tenham a mesma oportunidade daqueles que tem. Alinhado com esta idéia, segue o depoimento de um ex-estudante para reflexão.

Um dia desses eu ouvi uma música que há muito eu não ouvia e que me fez recordar os preparativos para a minha formatura, lá pelo final de 2002. Os colegas estavam preparando uma lista de músicas para tocar no momento que cada um de nós fosse receber o diploma.

Música? Tem isso? Indaguei surpreso, na posição de alguém que pela primeira vez na vida iria a uma cerimônia de formatura e esta seria logo a sua própria.
Na busca por uma música que pudesse resumir o que eu sentia naquele momento que eu estava vivendo, comecei então a relembrar todo o caminho que me conduzira até àquele momento.

Recordei-me que após concluir o segundo grau eu estava conformado com o meu emprego atrás do balcão de uma loja, tentando guardar dinheiro para comprar uma moto, ou quem sabe um fusquinha velho, e esperando o tempo necessário para tirar habilitação para dirigir carreta, seguindo a mesma sina de vários colegas da época, que pegavam a estrada para tentar ganhar a vida e alguns deles acabaram na estrada mesmo perdendo-a.

Um certo dia, lembro como se fosse hoje, no mês de setembro encontrei com minha professora de Língua Portuguesa da 7ª série. Questionadora e instigando-nos a pensar como nos tempos de sala de aula, ela perguntou como andava a vida e, antes mesmo que eu terminasse de responder, ela me pregou um belo sermão. De que não deveríamos aceitar a situação como se fosse um sistema de castas, com um destino traçado e imutável, que haviam várias oportunidades e que deveríamos ir atrás, lutar pelo que é nosso por direito. Aí ela me apontou uma direção, falando de algumas universidades públicas e seus programas de assistência estudantil, mas que uma decisão daquelas exigiria muito esforço e renúncia.

Aquilo me deixou intrigado, conversei com meus pais, operários humildes e de baixa escolaridade, mas de retidão moral e dotados de valores que hoje em dia estão caindo em desuso, e eles me deram o que de melhor eles podiam me dar naquele momento. Apoio.

Alguns meses depois eu estava já arrumando um lugarzinho para o meu colchão no alojamento temporário da moradia estudantil da universidade, esperando a minha vaga. Foi um longo semestre dividindo o mesmo ambiente com 200 pessoas, numa cena que mais parecia um alojamento de desabrigados de uma catástrofe natural. Como eu ficava mais próximo das janelas quebradas, teve dia que acordei com geada sobre o cobertor, até o dia que saiu a vaga na Casa do Estudante Universitário, assim saímos do purgatório e fomos para a CEU, um local que, apesar de sua aparência externa e sua infra-estrutura por vezes precária, era uma fábrica que ajudava a produzir mais de 200 sonhos por ano. Quando imaginava que as dificuldades acabaram, não tinha noção de que elas estavam apenas começando a aparecer.

Mas e a música?
Escolhi “Somos quem podemos ser”, dos Engenheiros do Hawaii.

Por quê?
Porque um dia aquela professora do ensino fundamental me disse que as nuvens não eram de algodão, que os ventos às vezes erram a direção, e ao mesmo tempo ela me indicou as chaves que abrem essa prisão. Nos dias que se seguiram tudo ficou tão claro, um intervalo na escuridão. E com certeza o que estava por vir, no dia da formatura, seria um momento de embriaguez em meio a um país sedento. 
E o que eu quero dizer com isso tudo?

Quero tentar passar o mesmo recado que eu recebi há 15 anos atrás. Que devemos perseguir nossos sonhos, não devemos nos conformar com uma normalidade aparente, de que universidade é pra rico, livro de pobre é cabo de enxada, dentre outras “verdades” que a gente não se cansa de ouvir, e sim buscar as oportunidades, pois elas existem, e lutar para alcançá-las.

Com isso creio que teremos cada vez mais e mais momentos de embriaguez, fazendo do nosso país um lugar cada vez menos sedento, e assim poderemos entregar aos nossos filhos, e aos filhos de nossos filhos, um país melhor do que aquele em que estamos. E eu tenho a firme convicção de que este caminho, esta mudança, passa obrigatoriamente pelos bancos de escola e pela melhoria na nossa educação.

Se foi isso mesmo que os Engenheiros do Hawaii quiseram dizer? Não sei, nunca procurei uma interpretação formal. Prefiro a minha. Tenho medo de me decepcionar.